GUSTAVO MIRANDA
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
O aumento de até 20% do IPTU em 2014 no centro de São Paulo, proposto pela gestão Fernando Haddad (PT), pode afastar os moradores da região, afirma a advogada Moira Regina de Toledo Alkessuani, diretora de locação da AABIC (associação de administradores de condomínios).
"Você pensa: 'Poxa, mudei para o centro com a promessa de uma revitalização. Agora, vou pagar a mais por isso?' O centro pode perder esse morador que foi iludido", diz.
"O fato dos imóveis terem se valorizado não significa que as pessoas têm mais renda."
O morador do centro teme o reajuste com razão, diz ela. "Não dá para pagar mais imposto. A carga de pagamento já é suficientemente alta."
O morador do centro teme o reajuste com razão, diz ela. "Não dá para pagar mais imposto. A carga de pagamento já é suficientemente alta."
Apesar da renovação no centro, os moradores acreditam que ainda há bastante espaço para reclamação. Para eles, a situação da região não justifica o reajuste.
"[O IPTU] Tem de ser reajustado, sim, mas muitas pessoas que vieram atrás da revitalização não viram grandes modificações. Não acho justo o bairro ter de pagar o pato", reclama o ator Nico Puig, morador dos Campos Elíseos. "Tem de fazer valer esse aumento."
| Moacyr Lopes Junior/Folhapress | ||
| O ator Nico Puig, 40, em sua cobertura nos Campos Elíseos, no centro de São Paulo |
Melissa Depeyre, moradora do edifício Copan, afirma que algumas melhorias na região demoraram muito tempo para acontecer.
"Deveriam ter acontecido há tempos: a reforma da Praça Roosevelt foi uma novela. Como será o Minhocão."
INFRAESTRUTURA
Para o advogado tributarista Raul Haidar, no entanto, parece razoável que o morador do centro pague mais.
"Há uma infraestrutura muito melhor. O valor venal do imóvel leva em conta vários fatores, inclusive a existência de serviços. Moro na Penha [zona leste], não tenho biblioteca perto de casa. No centro, deveria valer mais, pois há muito mais instrumentos."
Para ele, o município não deve incentivar a ocupação no centro por meio de isenção ou redução de impostos. "É preciso criar condições para que as pessoas possam trabalhar perto de casa."
O tributarista explica que o contribuinte deve esperar chegar o carnê em casa para decidir se vai questionar o reajuste no imposto.
"O artigo 148 do Código Tributário Nacional obriga qualquer poder público a rever o lançamento se o contribuinte pedir a revisão. Se ele se sentir lesado, tem direito de reclamar, até judicialmente."
Mas, segundo ele, esta é uma discussão que custa caro e é preciso pagar em juízo o imposto. (GUSTAVO MIRANDA)
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