Thursday, October 24, 2013

Para aprovar projeto, Haddad propõe reajuste menor de IPTU em 2015

Aumento máximo após 2014 será de 10%, segundo proposta da Prefeitura.
Vereadores rejeitaram na quarta-feira projeto que aumenta o IPTU.

Roney DomingosDo G1 São Paulo
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Secretário João Antonio na Câmara nesta quinta-feira (24) (Foto: Roney Domingos/G1)Secretário João Antonio na Câmara nesta
quinta-feira (24) (Foto: Roney Domingos/G1)
O secretário de Relações Governamentais deSão Paulo, João Antonio, afirmou nesta quinta-feira (24) que a gestão Fernando Haddad (PT) propôs à Camara travas menores para a correção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em 2015 e 2016. Agora, o governo municipal negocia um aumento máximo de 10% para imóveis residenciais e de 15% para comerciais nesses anos.
A proposta original da Prefeitura de São Paulo previa que a trava já em 2014 fosse de 30% para imóveis residenciais e de 45% para comerciais. Os vereadores pressionaram para que o impacto fosse menor, e a Prefeitura recuou. O secretário de Finanças, Marcos Cruz, disse na quarta-feira (23) que seria possível reajuste de 20% para residenciais e 35% para comerciais. Mesmo assim, os vereadores rejeitaram a proposta na Comissão de Finanças e Orçamento.
Nesta quinta, o secretário João Antonio participou de uma reunião na sala da liderança do governo com vereadores da base governista. Ao final, ele anunciou que a proposta agora é que a trava tenha nova redução a partir de 2015.
Rejeição
A decisão de rejeitar o projeto na quarta-feira foi tomada após votação do parecer elaborado pelo vereador Aurélio Miguel (PR), que é relator da Comissão de Orçamento. O relator argumentou em sua avaliação que o projeto "carece de maiores estudos" e que tem "potencial de provocar significativa elevação do tributo". O parecer foi aprovado por cinco votos a favor, com quatro contrários.
O projeto já tinha recebido avaliações favoráveis das comissões de Política Urbana e Constituição e Justiça.
A bancada do PSDB, que faz oposição a Haddad, propõe um substitutivo que propõe a redução da trava para 8% para imóveis da região central e de 6% para imóveis entre a região central e a periferia. A proposta prevê ainda que, na periferia, o imposto não exceda o valor alcançado em 2013.
Faltou quórum, diz presidente
O presidente da Câmara, José Américo (PT) afirma que o projeto seguia normalmente, mas faltou quórum. "Se houvesse quórum, o fato de a comissão ter dado parecer contrário não impediria o trâmite normal porque duas outras comissões já tinham dado parecer a favor", afirmou. Para a sessão continuar, segundo ele, seriam necessários 28 votos e havia apenas 25 vereadores em plenário.
A falta de quórum, segundo José Américo, deve-se a fatores diversos. "Algumas pessoas têm dúvidas, outras tiveram de viajar no dia de hoje. Quem foi embora é porque tinha algum tipo de divergência ou dúvida", afirmou. "Vamos voltar a conversar com a pessoas", disse.
Esta foi a primeira derrota de Haddad na Câmara em projetos de repercussão. No primeiro semestre, o prefeito obteve aprovação recorde de projetos.
Vereadores afirmam que a dificuldade de votação do projeto deve-se em parte ao posicionamento na bancada do PSD, inclinada à à oposição; insatisfação da bancada evangélica com o atendimento em subprefeituras; e resistência do PV a votar projeto que contraria a classe média.
Mais cedo, após audiência pública realizada pela manhã, o vereador de oposição, Andrea Matarazzo (PSDB), criticou o projeto, afirmando que o comércio será o principal prejudicado. "Esperamos que os vereadores não votem esse projeto porque ele é abusivo", disse. Ele afirma que o aumento "serve para sustentar o inchaço da máquina" da administração municipal.
Impacto do aumento
O secretário de Finanças de São Paulo, Marcos Cruz, admitiu nesta quarta que o impacto do aumento do IPTU para parte dos contribuintes será maior do que o anunciado em 1º de outubro. A Prefeitura agora diz que a valorização dos imóveis levará a aumento também nos demais anos do mandato de Fernando Haddad (PT).
Em audiência pública na Câmara, Cruz não divulgou o valor total do aumento previsto nem quantos contribuintes podem ter o reajuste escalonado. Entretanto, ele confirmou que atenderá uma reclamação dos vereadores e uma faixa maior de aposentados será beneficiada com descontos.
O aumento do IPTU não ficará restrito a 2014 para parte dos contribuintes porque Haddad prevê revisar apenas uma vez em seu mandato o valor venal dos imóveis. A partir da revisão da Planta Genérica de Valores (PGV), em votação na Câmara, a Prefeitura fará o cálculo do imposto devido considerando ainda a alíquota, a zona fiscal e a condição individual dos imóveis (veja mais detalhes abaixo).
Na terça-feira (22), Haddad foi taxativo em entrevista para rádios ao informar que o aumento será dividido em quatro anos para "diluir" o reajuste. Nesta manhã, o secretário disse que o pecentual de aumento depende do que for aprovado na Câmara. "Depende do escalonamento", afirmou Cruz.
A Prefeitura propôs à Câmara um limite máximo, chamado de "trava", de 30% de reajuste para imóveis residenciais e 45% para comerciais em 2014. Nesta quarta, o secretário admitiu em audiência na Câmara que a Prefeitura já aceitaria baixar as travas para 20% e 35%.
A possibilidade de aumentos sequênciais ao longo do mandato foi divulgada pelo vereador Police Neto (PSD), no primeiro dia de debate sobre o projeto na Câmara.
Aposentados
O secretário de Finanças confirmou durante a audiência pública a informação divulgada pelo vereador Arselino Tatto, líder do governo na Câmara, na semana passada para ampliar o descontos para aposentados. Agora, a Prefeitura defenderá que o projeto de lei seja alterado para beneficiar aqueles que ganham até três salários com isenção, e os que ganham entre 3 e 4 salários tenham desconto de 50%. Além disso, aposentados que recebam entre 4 e 5 salários mínimos terão 30% de desconto.

Os aposentados contemplados pela proposta não teriam aumento e poderão até ter redução, segundo o secretário. "Antes quem ganhava três salários mínimos mais R$ 100 tinha que pagar 100% de imposto", afirmou.
Sobre a possibilidade de reduzir as travas, Cruz afirmou que a redução de 30% para 20% no caso de imóveis residenciais vai reduzir também o aumento médio previsto para 2014 de 17% para 11%. Questionado se as travas seriam apenas uma forma de reduzir o problema, o secretário citou frase do prefeito Fernando Haddad, que disse que "a ideia é diluir parte da valorização em anos", disse Cruz.
Apenas previsões para 2014
Até esta quarta, a Prefeitura informa apenas a previsão de aumento para 2014. Devem ser afetados com aumentos nos demais anos moradores de distritos cujos aumentos médios ficaram perto da trava de 30% (veja lista dos aumentos previstos por distrito abaixo).

Quando o aumento foi anunciado, a Prefeitura omitiu a intenção de repassar o reajuste acima da trava ao longo do mandato de Fernando Haddad (PT). A administração municipal se limitou a fazer projeções de quantos contribuintes seriam afetados por cada faixa de reajuste até o limite de 30% em 2014.
Assim, um imóvel que teve aumento de IPTU total de 60% terá alta de 30% em 2014 e outro aumento igual em 2015.  Ao contrário do que ocorreu na apresentação do projeto, a Prefeitura não divulgou novas projeções de como será a cobrança do imposto.

A assessoria da Prefeitura não tem estimativa de quando serão divulgados detalhes da cobrança acima da trava ou do valor real do aumento do IPTU em cada região.
Zonas fiscais (Foto: Arte/G1)
Arrecadação
A Prefeitura espera arrecadar mais 24% em 2014 com o IPTU. Já o aumento médio do imposto para residências será de 17%, segundo afirmou o secretário de Finanças, Marcos Cruz. Santa Cecília e Vila Mariana são os distritos de São Paulo que terão o maior aumento médio no valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) a partir de 2014.
Nas duas regiões, a alta será de 29,95%. Na lista dos 10 distritos com maior reajuste - todos com percentuais também acima de 29% - estão ainda Brás, Sé, Alto de Pinheiros, Liberdade, República, Moema e Jardim Paulista. (Veja abaixo a lista com todos distritos.)
O aumento médio por distritos e também por faixa de contribuição foi divulgado na quinta-feira (3). A Prefeitura ressalta que os índices foram orientados pela valorização do mercado imobiliário, mas que se referem a valores médios para cada distrito e que o reajuste para cada cada imóvel terá cálculo individual que vai considerar as características da construção. "O morador de baixa renda não vai pagar a mesma coisa do morador de uma construção sofisticada", disse o secretário de Finanças, Marcos Cruz.
O aumento do IPTU vai ocorrer porque a administração revisou a Planta Genérica de Valores (PGV) dos imóveis na cidade, conforme previso em lei de 2009. Agora, cabe à Câmara Municipal de São Paulo aprovar os reajustes. O aumento na arrecadação está previsto no Orçamento para 2014 elaborado pela gestão Haddad e deve ajudar a manter a passagem de ônibus sem reajuste. Segundo a Prefeitura, a revisão da PGV busca ajustar o IPTU à valorização do mercado desde a última revisão em 2009.
Critérios: geografia e construção
Na revisão da PGV neste ano, a Prefeitura criou um critério geográfico para dividir a cidade em três zonas fiscais, determinando que, em média, salvo exceções, quem mora mais longe do Centro terá um reajuste menor.
Atualmente, a cidade de São Paulo é dividida em 5,8 mil regiões com o valor do metro quadrado específico para cada uma dessas áreas. No cálculo do imposto, o valor do metro quadrado de cada região é multiplicado pela área do terreno para obter-se o valor venal do terreno.
Outro componente usado no cálculo do IPTU é o valor venal da construção. Hoje o valor é igual para toda a cidade. A proposta da Prefeitura é  manter da forma como está a fórmula de cálculo do valor do terreno, mas mudar a forma de cálculo do valor do metro quadrado construído, que passa a ser classificado em três zonas fiscais. Dessa forma, o metro quadrado construído no extremo Sul valerá menos do que o metro quadrado construído na Vila Mariana.
O cálculo levará em conta também o padrão da construção. Isso significa que o morador de uma casa humilde localizada em bairro nobre terá seu caso considerado individualmente.
Até hoje, uma casa de padrão médio fornecia uma base de cálculo de R$ 750 por metro quadrado, independentemente de onde estivesse.  Com a proposta de diferenciação por zonas fiscais com zonas diferentes, um imóvel que está na Zona Fiscal 1 vai passar a ter valor de R$ 1.420 (incremento de 90%). Na Zona Fiscal 2, o incrimento é de 40% e na Zona Fiscal 3, não há incremento de valor unitário.

Exceções
O mapa criado pela Prefeitura a partir dessa divisão da cidade também apresenta exceções, como ilhas de valorização situadas em áreas menos centrais. Duas manchas da Zona Fiscal 1 (a mais valorizada) são vistas em meio à zona fiscal dois (intermediária). Essas duas ilhas coincidem com os bairros de Santana, na Zona Norte, e Anália Franco, na Zona Leste. Segundo o secretário, essas áreas tiveram valorização muito grande de acordo com o mercado e com as estatísticas apuradas por sua equipe.
O aumento médio do IPTU em toda cidade ficará em 24%, sendo que a média do aumento do IPTU para imóveis residenciais pagantes ficará em torno de 18%. O número de contribuintes isentos permanecerá estável em cerca de um milhão. São Paulo tem aproximadamente 3 milhões de contribuintes.
Para não deixar que toda a valorização imobiliária pese sobre o IPTU dos imóveis, a Prefeitura criou uma trava que limita a 30% o reajuste do IPTU de imóveis residenciais e a 45% o reajuste sobre os não residenciais.
  •  
IPTU ATUAL
CORREÇÃO PARA 2014
CONTRIBUINTES
Isentos                
         -
1,03 milhão de imóveis
Zero a R$ 200
Redução de quase 4%
173 mil imóveis
Entre R$ 200 e R$ 600
Aumento de 9%
390 mil imóveis
Acima de R$ 600
Aumento de 18%
268 mil imóveis
Entre R$ 1 mil e R$ 2 mil
Aumento de 26%
348 mil imóveis
Acima de R$ 2 mil
Aumento de 26,73%
407 mil imóveis
FONTE: Prefeitura de São Paulo.
Alta por faixa de contribuição
De acordo com o secretário municipal de Finanças, quem atualmente paga, em média, de zero a R$ 200 por ano de IPTU vai ter redução no imposto de quase 4%. Quem paga entre R$ 200 e R$ 600 vai ter correção de 9%, em média. Quem paga acima de R$ 600 vai ter uma correção média de 18%. Quem atualmente paga entre R$ 1 mil e R$ 2 mil terá correção média de 26%. Quem paga acima de R$ 2 mil terá correção de 26,73%.
A revisão deve proporcionar receita de R$ 6,8 bilhões, dinheiro que deverá ser usado para cobrir o rombo provocado pela decisão de não aumentar a tarifa de ônibus de R$ 3 para R$ 3,20 após os protestos de junho. "Não existe almoço grátis", disse o secretário de governo, Antonio Donato.
"O debate é um só, da despesa e da receita. Estamos discutindo o Orçamento como um todo. O congelamento da tarifa de ônibus implica, a cada dez centavos, em R$ 150 milhões. A tarifa, se fosse reajustada em junho, seria de R$ 3,45 só atualizando a inflação. Quarenta e cinco centavos são quase R$ 700 milhões. Portanto tem que se encontrar uma fonte para manter a tarifa congelada. Uma das fontes é o IPTU", disse Donato.

Variação média por distrito
Confira abaixo a variação média do IPTU po distrito da cidade:
  •  
  •  
DISTRITO                   
TOTAL DE CONTRIBUINTES 
AUMENTO MÉDIO PARA 2014(%) 
Agua Rasa
 23.817
17,91
Alto de Pinheiros
16.725
29,48
Anhanguera
 1.265
- 8,86
Aricanduva
9.602
5,96
Artur Alvim
6.244
6,78
Barra Funda
6.931
21,01
Bela Vista
27.597
28,89
Belém
11.013
19,52
Bom Retiro
5.093
21,28
Brás
3.994
29,82
Brasilândia
9.626
8,07
Butantã
17.401
15,83
Cachoeirinha
12.267
29,45
Cambuci
8.550
23,99
Campo Belo
29.162
25,86
Campo Grande
26585
7,95
Campo Limpo
10.944
-0,49
Cangaíba
10.169
 5,95
Capão Redondo
 7.540
3,70
Carrão
 20.153
 14,93
Casa Verde
 15.541
 11,79
Cidade Ademar
17.004
 7,90
Cidade Dutra
 10.764
 2,76
Cidade Líder
7.466
 -9,52
Cidade Tiradentes
 2.606
 2,04
Consolação
27.545
28,61
Cursino
25986
22,70
Ermelino Matarazzo
6.182
-5,33
Freguesia do Ó
18.791
6,23
Grajaú
5.928
6,70
Guaianases
4.070
0,06
Iguatemi
1.828
- 4,06
Ipiranga
 24.222
23,82
Itaim Bibi
51.392
28,61
Itaim Paulista
7.011
- 2,32
Itaquera
 10.341
 -1,07
Jabaquara
35.273
11,09
Jaçanã
6185
1,68
Jaguará
 3.829
15,26
Jaguaré
7.695
 7,91
Jaraguá
5.181
14,08
Jardim Ângela
4.845
5,87
Jardim Helena
5559
 - 2,82
Jardim Paulista
 52.171
29,12
Jardim São Luis
10.474
3,12
José Bonifácio
2.465
3,21
Lajeado
 4.342
2,26
Lapa
23.616
26,61
Liberdade
22.392
29,47
Limão
11.997
11,93
Mandaqui
20985
14,77
Marsilac
21
-0,94
Moema
47.925
29,24
Mooca
24.471
15,66
Morumbi
16.372
25,51
Parelheiros
1.935
-0,05
Pari
2.606
23,18
Parque do Carmo
3.704
- 10,25
Pedreira
4.133
7,04
Penha
20669
16,15
Perdizes
48.757
28,33
Perus
1800
4,69
Pinheiros
31596
28,60
Pirituba
18054
3,84
Ponte Rasa
8.441
4,47
Raposo Tavares
4.188
0,94
República
17.173
29,43
Rio Pequeno
20.540
9,20
Sacomã
23.058
14,35
Santa Cecília
25.242
29,95
Santana
42.791
26,51
Santo Amaro
27.677
16,64
São Domingos
11.426
12,94
São Lucas
17.011
6,28
São Mateus
8.962
1,54
São Miguel
5.569
- 6,57
São Rafael
2.951
- 5,51
Sapopemba
11.190
-1,46
Saúde
46.233
26,17
4.372
29,60
Socorro
7.174
15,05
Tatuapé
36.967
23,52
Tremembé
12.819
12,83
Tucuruvi
19.203
16,74
Vila Andrade
28.471
9,94
Vila Curuçá
6.453
- 2,13
Vila Formosa
18.631
20,83
Vila Guilherme
10.945
12,69
Vila Jacuí
5.208
- 7,31
Vila Leopoldina
14.859
22,91
Vila Maria
12.165
9,71
Vila Mariana
60.587
29,95
Vila Matilde
15.925
7,57
Vila Medeiros
12.884
9,50
Vila Prudente
20.938
16,33
Vila Sonia 
27.484
12,92
FONTE: Prefeitura de São Paulo



















 
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