Friday, October 25, 2013

Protesto termina em quebra-quebra e presos em São Paulo

Integrantes do Movimento Passe Livre organizam ato para pedir melhorias no transporte público na capital paulista

Gabriela Bilo/Futura Press
Manifestantes queimam catraca de papel em protesto por melhoria no transporte público
Manifestantes e integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) saíram em passeata, nesta sexta-feira (25), por ruas do centro de São Paulo, em protesto por melhorias do transporte público. A manifestação (iniciada no Theatro Municipal), que começou pacífica, tomou proporções violentas por volta das 20h20, quando um grupo de mil pessoas invadiu o Terminal Dom Pedro 2º e quebrou um ônibus.
O tumulto se generalizou, com alguns manifestantes quebrando janelas dos coletivos  e outros danificaram caixas eletrônicos que ficam no terminal, picharam coletivos e depredaram bilheterias. A polícia reagiu atirando bombas de efeito moral, dispersando o protesto.
Em protesto em São Paulo, grupo invade terminal e queima ônibus. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press
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Por volta das 21h, um grupo na região da Praça da Sé e outra em frente à Prefeitura de São Paulo tentavam prosseguir com a manifestação sob a mira de um helicóptero Águia, da PM. Até o momento, 36 pessoas foram presas em razão do tumulto no terminal.
Antes disso, na avenida 23 de Maio, no sentido centro, manifestantes tentaram atear fogo em uma catraca gigante. Por onde o protesto passa, o tráfego fica impedido. 
“O direito ao transporte público dá acesso a todos os outros direitos fundamentais. Uma pessoa que não tem os R$ 3 para se locomover em São Paulo é excluída de vivenciar a cidade e chegar ao hospital ou a uma escola”, disse o militante do MPL Matheus Preis.
A polícia acompanhava a passeata sem intervir. Segundo contagem da Polícia Militar, o ato reuniu cerca de 2.000 pessoas. A PM destacou uma equipe para filmar a manifestação e acompanhar o comportamento dos manifestantes. Mesmo assim, alguns lojistas optaram por baixar as portas.
"Nos comprometemos a fazer um protesto pacífico", disse Nina Campello, integrante do Passe Livre. O tenente-coronel Wagner disse que policiais infiltrados identificaram que cerca de 100 manifestantes apresentavam características de black blocs: roupas pretas e máscaras. Apesar disso, o oficial disse que a manifestação tem caráter mais heterogêneo e popular que as demais, com uma predominância menor de jovens.
Este é o quarto protesto com participação do MPL nesta semana - o primeiro na região central. Na segunda-feira, o grupo apoiou revindicações de moradores no M'Boi Mirim; na quarta-feira, no Grajaú; e na quinta-feira, no Campo Limpo. O movimento também critica a  mudança nas linhas de ônibus .
O protesto desta sexta-feira faz parte da "Semana de Luta por Transporte Público", que já é realizada pelo MPL desde 2005. A semana de luta é celebrada este mês por conta dos atos do dia 26 de outubro de 2004, conhecidos como "revolta da catraca".
Gabriela Bilo/Futura Press
Black blocs fazem cordão de isolamento na frente dos policiais na 
concentração da passeata no centro do São Paulo
Na época, o MPL conseguiu a aprovação do passe livre para estudantes de Florianópolis. "Hoje, nós não lutamos mais para o passe livre dos estudantes, porque entendemos o transporte como um direito. E ele deve ser para toda a população", afirmou Caio Martins, 19 anos, militante do MPL.
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