Integrantes do Movimento Passe Livre organizam ato para pedir melhorias no transporte público na capital paulista
Manifestantes queimam catraca de papel em protesto por melhoria no transporte público
Manifestantes e integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) saíram em passeata, nesta sexta-feira (25), por ruas do centro de São Paulo, em protesto por melhorias do transporte público. A manifestação (iniciada no Theatro Municipal), que começou pacífica, tomou proporções violentas por volta das 20h20, quando um grupo de mil pessoas invadiu o Terminal Dom Pedro 2º e quebrou um ônibus.
O tumulto se generalizou, com alguns manifestantes quebrando janelas dos coletivos e outros danificaram caixas eletrônicos que ficam no terminal, picharam coletivos e depredaram bilheterias. A polícia reagiu atirando bombas de efeito moral, dispersando o protesto.
Por volta das 21h, um grupo na região da Praça da Sé e outra em frente à Prefeitura de São Paulo tentavam prosseguir com a manifestação sob a mira de um helicóptero Águia, da PM. Até o momento, 36 pessoas foram presas em razão do tumulto no terminal.
Antes disso, na avenida 23 de Maio, no sentido centro, manifestantes tentaram atear fogo em uma catraca gigante. Por onde o protesto passa, o tráfego fica impedido.
“O direito ao transporte público dá acesso a todos os outros direitos fundamentais. Uma pessoa que não tem os R$ 3 para se locomover em São Paulo é excluída de vivenciar a cidade e chegar ao hospital ou a uma escola”, disse o militante do MPL Matheus Preis.
A polícia acompanhava a passeata sem intervir. Segundo contagem da Polícia Militar, o ato reuniu cerca de 2.000 pessoas. A PM destacou uma equipe para filmar a manifestação e acompanhar o comportamento dos manifestantes. Mesmo assim, alguns lojistas optaram por baixar as portas.
"Nos comprometemos a fazer um protesto pacífico", disse Nina Campello, integrante do Passe Livre. O tenente-coronel Wagner disse que policiais infiltrados identificaram que cerca de 100 manifestantes apresentavam características de black blocs: roupas pretas e máscaras. Apesar disso, o oficial disse que a manifestação tem caráter mais heterogêneo e popular que as demais, com uma predominância menor de jovens.
Este é o quarto protesto com participação do MPL nesta semana - o primeiro na região central. Na segunda-feira, o grupo apoiou revindicações de moradores no M'Boi Mirim; na quarta-feira, no Grajaú; e na quinta-feira, no Campo Limpo. O movimento também critica a mudança nas linhas de ônibus .
O protesto desta sexta-feira faz parte da "Semana de Luta por Transporte Público", que já é realizada pelo MPL desde 2005. A semana de luta é celebrada este mês por conta dos atos do dia 26 de outubro de 2004, conhecidos como "revolta da catraca".
Black blocs fazem cordão de isolamento na frente dos policiais na
concentração da passeata no centro do São Paulo
Na época, o MPL conseguiu a aprovação do passe livre para estudantes de Florianópolis. "Hoje, nós não lutamos mais para o passe livre dos estudantes, porque entendemos o transporte como um direito. E ele deve ser para toda a população", afirmou Caio Martins, 19 anos, militante do MPL.
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